O Vaso de Alabastro

A quantidade do perfume derramado, que era uma libra, equivale a cerca de 326 gramas. O nardo (do hebraico nerd; em grego, nardos)  era um bálsamo raro extraído de uma planta nas regiões do Himalaia que, de acordo com o evangelista Marcos (14:5), poderia ser vendido por cerca de trezentos denários, o que equivalia a um ano de trabalho. A distância e a raridade da planta eram os ingredientes que tornava o nardo caríssimo e tão procurado. O Alabastro era um vaso fabricado a partir de uma pedra encontrada nas imediações de uma cidade Egípcia chamada Alabastron. Era semelhante ao mármore, mas era mais maleável e facilmente modelado, servindo de vaso para perfumes.

Aconteceu antes da festa da Páscoa. A mulher era Maria, irmã de Marta e Lázaro (Jo.12.1-8). Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Quando Maria entra no recinto torna-se objeto da reprovação daqueles que ali estavam. Uma mulher, quando casada, não mostrava cabelos em público, e se o fizesse era motivo de vergonha. Maria começou a derramar o perfume sobre os pés de Jesus, possivelmente empoeirados do caminho, e soltou seus cabelos passando a enxugar os pés ungidos de Seu Mestre. Maria expressou uma atitude de gratidão, humildade, adoração e reconhecimento da autoridade de Cristo.

Quando essa mulher quebrou o vaso, ela também quebrou tantas outras coisas:

A religiosidade (v. 4) – E alguns houve que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se fez este desperdício de unguento?

O ato dessa mulher era um ato de adoração. Ao criticarem esse ato, estavam criticando a forma dessa mulher adorar a Jesus. Essa mulher quebrou a religiosidade que engessava as pessoas na sua forma de adorar a Deus. A religiosidade que aprisiona as pessoas em códigos de conduta, em ética de comportamento, a religiosidade que determina um modelo correto de adoração a Deus.

A hipocrisia (v. 5) – Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela.

A adoração de Maria quebra com a hipocrisia desses homens, entre eles Judas, que queriam que ela não derramasse o nardo sobre o pretexto de vendê-lo e dar o dinheiro aos pobres. Mas isso era apenas um pretexto, pois a real intenção de Judas era vender o nardo e colocar o dinheiro na sacola para que, então, ele pudesse roubar e se dar “bem”.

O comprometimento dos valores espirituais (v. 7) – Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes.

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Maria nos mostrou que seus valores espirituais não estavam comprometidos pelo bem material, e, se em algum momento estiveram, a partir do encontro com Jesus isso foi transformado. Para ela pouco importava o valor do nardo ou o que ele poderia render como lucro financeiro. Para ela o que importava era ungir o seu Rei. Ele era o Rei de sua vida, de sua alma, de seu espírito.

Deus procura os fiéis (Salmo 101:6). Quem são os fiéis? São os que como Maria não se dobraram ao sistema religioso, não se venderam ao mundo; que como Elias não se curvaram diante de Jezabel, que como Daniel não se contaminaram com as iguarias do rei e não se dobraram diante da estátua de Nabucodonosor  (Daniel 3) como Sadraque, Mesaque e Abdenego; como Davi que confessaram seus pecados (Salmo 32), que como Neemias não fugiram do propósito, e que como Isaías não fugiram do chamado de Deus (Isaías 6).

Ao quebrar o vaso era como se essa mulher estivesse quebrando a si mesma diante de Deus. Mostrando sua essência, não tendo medo de expor seus pecados, suas falhas, seus erros, pois não há como consertar um vaso rachado. Para ser um vaso novo, sem marcas ou cicatrizes tem que se quebrar diante de Deus e oferecer o seu melhor para Ele. “Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.” (Jeremias 18:4)

Ao quebrar o vaso Maria estava dizendo que iria derramar tudo, ou seja, não iria guardar nada; a última gota do nardo seria derramada sobre a cabeça de Jesus. Que somente Ele era digno de receber aquele óleo precioso. Tudo era dEle, por Ele e para a glória dEle!

Muitas vezes só oferecemos problemas, questionamentos, revoltas, críticas, mágoas. Oferecemos o resto. O resto do nosso tempo, o resto da nossa dedicação, o resto do nosso compromisso, o resto da nossa atenção, o resto dos nossos esforços… Será que é isso que ele merece de nós? Minha consciência me leva a pensar “como posso dar o resto de mim à alguém que me deu o melhor que eu sou? Como posso dar o resto do que tenho à alguém que me deu tudo que tenho?” Tudo que tenho, tudo que sou, o ar que eu respiro… tudo provém Dele. A minha esposa, marido, filhos, ministério, trabalho, recursos, sentimentos, a vida, tudo provém Dele. Por isso, dê o seu melhor para Deus. Dê o melhor tempo, o melhor louvor, a melhor adoração, a melhor oferta, a melhor atenção. Deus não espera outra coisa de um filho.

Davi perguntou “Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?” (Salmo 116:12) Quando Davi foi oferecer sacrifícios a Deus depois de ter passado por uma prova muito grande ele disse a Araúna “Não oferecerei ao meu Deus aquilo que não me custe nada.” (II Samuel 24:24)

Ao derramar o nardo sobre Jesus, Maria estava fazendo um ato profético revelado pelo próprio Jesus: “Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura.” (João 12:8). O nardo derramado sobre Jesus era o desejo da alma dessa mulher, para que o cheiro da morte não pairasse sobre Ele,pois Ele venceria a morte; como venceu e ressuscitou! Ela queria que aquele aroma perdurasse, se entranhasse pela eternidade, chegasse ao trono de Deus e inundasse o céu com seu aroma.

É hora de nos quebrarmos diante de Deus, derramar o nosso nardo, a nossa alma diante de Deus, a essência da nossa adoração, do nosso amor e fé  e derramar sobre aquele que venceu a morte e está vivo em nós, pois nós somos o bom perfume de Cristo (II Coríntios 2:15) e o seu nome é Jesus!

Maria demonstrou ter um grande sentimento por Jesus.
Maria entregou-se totalmente e fez o que podia visando adorar Jesus.
Maria entregou o que tinha de maior valor.
Maria ousou quebrar com o costume do povo.
Maria expôs-se à reprovação popular.
Maria expressou sua adoração a Cristo.
Maria humilhou-se aos seus pés.
Maria fez um ato de gratidão e reconhecimento da grandeza de Cristo.
Maria O exaltou ungindo sua cabeça.
Maria profetizou, ainda que sem perceber, a morte de Jesus.

Nada que é gasto para o reino de Deus é desperdício. Adorar a Deus nunca é desperdício. Seu louvor, seu sacrifício, seu tempo dedicado na obra nada é desperdício. Somos o suave perfume de Cristo. 

Pr. Paulo Andrade